Com cinco países entre os dez maiores exportadores de soja do mundo e uma cadeia de carnes estruturada, que representa 15% da produção global, a América do Sul possui um mercado estabelecido no agronegócio. Apesar do cenário aparentemente confortável, a região precisa abrir novos mercados para garantir a expansão da atividade ligada ao campo. As oportunidades comerciais são um dos temas do 2.º Fórum de Agricultura da América do Sul (promovido pelo Agronegócio Gazeta do Povo, dias 27 e 27, em Foz do Iguaçu).
A necessidade de os países da região elaborarem ações conjuntas e assumirem maior influência no mercado internacional foi apontada como desafio central do bloco no Fórum de 2013. Quadro que se acentua num ano de produção maior que do consumo.
O crescimento dos estoques globais impõe a necessidade de uma revisão nas estratégias comerciais em nome da sustentabilidade ao agronegócio sul-americano. Entre as safras 2005/06 e 2012/13, a demanda pelas commodities agrícolas cresceu 2,43% diante dos 2,18% da produção. A inversão na safra passada, quando o consumo aumentou 4% e a produção mundial 5,9%, colocou o setor em alerta. De acordo com estimativas da Expedição Safra Gazeta do Povo, o cenário será semelhante na temporada 2014/15, com crescimento de 7,4% na produção e de 4,9% no consumo.
“A produção sul-americana de soja cresceu, de 2000 a 2013, duas vezes mais que a de outros cultivos. Assim, mais do que o ritmo do crescimento, precisamos discutir os impactos desse nível de especialização produtiva sobre as possibilidades de crescimento sustentável das economias dos países e a dinâmica socioeconômica dos seus territórios”, ressalta Monica Rodrigues, economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Ela participa da conferência “O papel do estado no desenvolvimento do agronegócio” (14h30, dia 27).
O principal desafio passa pela abertura de novos mercados fora do Mercosul, principalmente na Ásia e Europa. Para o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul, Marco Antonio Montoya, esse mecanismo deve ser capitaneado pelo bloco como uma celular única.
“O Mercosul é fundamental para o agronegócio da região. Mas como os países têm produções parecidas, o bloco precisa estar perfilado em fazer negócio com outros blocos”, aponta Montoya. “É uma estratégia a mais de avanço.”
Liderança
O processo de fortalecimento do Mercosul no agronegócio mundial é liderado por Brasil e Argentina. Juntos, os dois devem exportar 55 milhões de toneladas de soja em 2014/15, assume o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Isso é perto de 50% dos negócios globais envolvendo a commodity. “Quase 70% dos negócios do agro no Mercosul têm origem no Brasil. A Argentina, mesmo em crise, tem grande peso”, frisa o professor de UPF.
Paraguai, Uruguai e Bolívia são considerados peças chave nas mesas de negociação. Garantem a liderança da região nas exportações de soja e milho. “O aumento dos embarques tem sido muito mais intenso que o da produção. O consumo está cada vez mais internacionalizado”, observa Monica.
Fonte: Gazeta do Povo

